Carta de Amor III (Ilustração)


«E porque eu prefiro estar a dormir e somente acordar quando te deitares, vou saciar a fome, esperar-te à porta, dar-te um beijo de bom dia, nem que seja virtual, entregar-te esta extensa confissão, nem que seja por telepatia, e algures entre o purgatório e a salvação, adormecer sonhando contigo.»

Ilustração: Cipriano Oquiniame

Carta de Amor IV: Os Deuses Também Se Abatem


Os nossos corpos entrelaçam-se em câmara lenta e adormecemos.

Com as minhas cuecas húmidas limpo o sémen que escorre lentamente pelo seu rabo frio tentando não despertá-la do estado de sonolência em que se encontra. Procuro também transportar-me para lá, pois a vergonha de não ter conseguido não querer explodir dentro dela tem de morrer antes que o Sol nasça.

E foi assim a (nossa) última viagem ao profundo dos nossos corpos: crua, fria e vergonhosa; um acto de puro egoísmo... o meu.

(...)

A noite presta-se a acabar, abrimos a porta de casa, exaustos, e entramos.

Lá fora ficam as memórias de mais uma madrugada intensa, salpicada de odores diversos. Ainda sinto no muco o sabor do...