Era uma vez um homem e uma mulher, a mulher do marido, e o marido da mulher.
Certo dia acordaram lado a lado e por telepatia perguntaram: «quem és tu?!»
Como o fizeram ao mesmo tempo, abafaram o eco das suas vozes e calaram-se para sempre.
Procuro nas ondas da Internet a solução para o nosso dilema.
No buraco negro da solidão onde me enterrei escuto vozes que não as minhas. Procuro o teu doce canto, os teus gritos de pulmão em "riste", os teus gestos histéricos de quem deseja despertar para a vida, em vão. Tenho medo do escuro, incomoda-me. Sem ti tudo parece sem sentido. Foste parte de mim, levas-te contigo quase tudo de mim. Continuo à procura da luz, da salvação. Nunca pensei que a dor e o sofrimento fossem preferíveis à solidão. Estava enganado.
Hoje troco o prazer e a felicidade por um berro teu.
Onde estás? Será que o conseguiste ver? Será que o convenceste a visitar-te? A dormir contigo? A aquecer-te nesta noite gélida e triste?
Escrevo sem parar...



