1 ( Carta de Amor + Ilustração ) por Mês ( TOTAL = 10 )

26/10/09

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É com enorme prazer que anunciamos a colocação dos primeiros "produtos" merakian|10 na loja online da Merakian (visitar http://shop.merakian.com). Pois é, agora poderás adquirir, online, as ilustrações/quadros/posters do teu projecto preferido :).

Estamos a ver se, ainda este ano, conseguimos abrir uma loja online também em Português.


Para os mais "distraídos", "10 Anos De Eternos Infinitos" é apenas uma das partes que compõem o projecto merakian|10. Brevemente poderás encontrar mais informações em http://www.merakian.com.

13/10/09

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  • Carta de Amor VII (completa): guardar o ficheiro ( download .pdf )
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FASE 1: Esperança & Inocência

Deixa-te ir, e se confiares em mim acordarás num lugar lindo.

Onde as cores e os cheiros são mais intensos.
Onde a terra vermelha te aquece os pés e te pinta o corpo, por dentro e por fora.
Onde a chuva te abraça e te embala.
Onde o pouco se transforma em muito e do nada surge a fartura.

Nesse lugar lindo tocas em gentes de carne e osso
e pulas com eles até tocar nas nuvens que pintam o azul dos céus.
E pulas tanto que cedes
e rebolas
e te sujas.
E os meninos como tu, riem-se,
despreocupados,
sem medo das taponas que inevitavelmente chegarão ao final do dia.

E corres como nunca antes o fizeste em busca da bola que te escapa,
do golo que te eleva à próxima árvore da tua infindável lista de coisas impossíveis a realizar enquanto acreditas que a vida será para sempre.

E respiras.

E mergulhas no imenso azul que te leva às profundezas dos corais humanos
e retens o fôlego
e abres os olhos
e tudo é novo,
lento,
relaxante.

O teu peito aperta,
libertas o ar
e deixas-te ir com a corrente que te eleva à superfície.

Ao longe,
a casa onde te espera o beijo,
o abraço terno e carinhoso,
onde tudo acontecerá de outra forma...
mais adulta.

Lá buscarás o conforto do lar,
as palavras sábias dos teus pais,
o orgulho das aventuras contadas em palavras soltas muitas vezes imperceptíveis.

E adormeces.

E sonhas com monstros no escuro,
viagens ao infinito,
aventuras intermináveis.
E as tuas personagens têm três olhos,
são verdes, azuis, amarelas, multicolores
e correm e voam e nadam e cantam e choram e riem.

Depois sonhas um pouco mais.

Algures num qualquer recanto da tua memória recordas o dia em que foste pela primeira vez à Urbe.

Estava um dia de Sol.

Braço dado à mãe do teu mais que tudo,
trepaste colinas e viste monumentos.
Sentiste os cheiros da cidade,
ouviste os sons da sua gente,
subiste ao castelo.

Pelo caminho largaste o braço
e abraçaste o teu destino.

E juntos pulamos em sincronia
embalados pela sinfonia dos risos,
quais corpos em batida ritmada,
pé ante pé,
ali em plena luz do dia,
indiferentes aos olhares indiscretos dos urbanos,
exploramos novos caminhos
e baptizamos a nossa dança urbana com uma pitada de amor.

(...)

Lisboa, Portugal, 2000

in «10 Anos de Eternos Infinitos» ( http://www.10AnosDeEternosInfinitos.com )
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  • Carta de Amor VII (completa): guardar o ficheiro ( download .pdf )

05/10/09

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FASE 2: Maturidade

«Foi o brilho dos teus olhos e o sorriso de menina moça que me fizeram partir na aventura de te amar.»
11.Maio.2003 | 1:34 | Viana do Castelo, PT | via SMS

Ela prometeu e cumpriu. Colocou na protecção do teu abraço a mais frágil e valiosa flor do nosso jardim.

Enquanto me deleitava com mais um sonho realizado e bebia avidamente cada expressão e gesto teus, senti o excesso da alegria gulosa forçar-me num abraço ofegante e por breves instantes sugar-me a vida.

Coube à memória a árdua tarefa de reanimar o coração e puxar-me para dentro de um vórtice que me transportou, por breves instantes, para um tempo que já foi.

Hoje sei que te amei para além da própria vida e que tivemos um encontro marcado com a eternidade e que, por causa dele, o nosso amor se entenderá pelo infinito.

Hoje sei exactamente o dia em que a tua dor se transformou em definitivo na minha e em que a verdade pintou de vermelho a minha vida e a marcou para sempre com o teu nome.

E hoje recordo-me o que nunca te cheguei a dizer:

«
...e sentado nas escadas da noite, tendo a tentação como companheira, sinto o suave toque da revelação. A dor ligeira que me incomoda, faz-se de convidada, e anuncia o prelúdio de uma canção de amor eterno e pela primeira vez na minha vida, o "para sempre" já não me assusta.
»

Enchi-me de coragem, e armado de convicções, despedi-me da tentação, desci as escadas, procurei no teu abraço um final feliz e somente encontrei a tempestade.

Desculpa ter-te feito sofrer tanto, mas o Amor é assim, misterioso nos seus caminhos... e às vezes atrasa-se.



(...)

Mensagem amadurecida e engarrafada em Setembro de 2009, depois de se achar perdida entre 1999 e 2003, na muy nobre cidade de Viana do Castelo, Portugal.

in «10 Anos de Eternos Infinitos» ( http://www.10AnosDeEternosInfinitos.com )
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  • Carta de Amor VI (completa): guardar o ficheiro ( download .pdf )

23/07/09

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NOTA INICIAL: 
Pedimos desculpa pelo atraso na publicação das Cartas & Ilustrações, mas afazeres profissionais e sobretudo o nascimento da mais bela de todas as Dálias (+ info) foram mais do que motivos de força maior. Esperamos agora, passado quase um mês do seu nascimento, voltar ao ritmo normal e recuperar o atraso. 

Boas Viagens, Alfredo & Cipriano.

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Fase 3: O Declínio «

Eu sou o Vazio.

Em mim deposito a esperança do nada multiplicado ao infinito. Esse infinito de pequenas coisas, incontroláveis e desgastantes, que nos levam ao desespero... ao beco sem saída.

(...)

Lá do alto a Lua sorri, iluminando o céu estrelado com o seu Quarto "C"rescente "mentiroso". Ela pinta de "C"rença os sonhos, anima as noites mais gélidas e alia-se à madrugada na recepção entusiástica ao tímido Sol.

Com o seu "C" reflectido no profundo de nós, ela teima em dizer-nos aquilo que optamos por ignorar, tapando muitas vezes os olhos e afogando quase sempre a razão: é de "C"rença que vivem as relações. E elas, as relações, não são mais do que meros "Saltos de Fé".

Algumas pessoas saltam mais depressa que outras, outros saltam mais do aquilo que acreditam. Depois há as que simplesmente saltam e ainda há as que, de tão empanturradas que estão de Fé, nem sequer chegam a saltar. Eu sempre temi saltar - não é de admirar, sempre tive medo de alturas; mas quando vi o teu olhar enigmático ao longe e o teu sorriso a roçar de leve nos meus olhos, soube logo que estava condenado a ser eternamente feliz ao teu lado.

(...)

Começamos sempre esperançados, cheios de vontade e promessas, retiramos da equação a realidade, o ego e o obscuro de cada um, acreditamos que o Amor tudo pode e tudo conquista e partimos de peito aberto rumo ao futuro incerto... ao "depois".

Suspiramos de prazer a cada toque ou lembrança de nós, vemos no espaço e nos reencontros oportunidades para materializarmos o desejo de sermos Uno e Indivisíveis. Brincamos e saltamos juntos, não concebendo um mundo que não seja o nosso recreio e onde nós não existamos. Cada sopro nosso é sagrado.

Embriagados pelo Amor, deixa-mo-nos levar pelo coração e vamos cedendo, lentamente, um pouco da nossa individualidade e liberdade - sacrifício menor, pois a causa maior é construirmos um outro EU, baptizado de NÓS. Coleccionamos Juras de Amor, projectos a dois... sonhando sermos, um dia, três ou mais.

Depois esgotamos as novidades dos corpos e das viagens para dentro e começamos a partilhar rotinas e espaços, até que estes se tornam num só espaço nosso, longe do mundo, onde o nosso Amor se pode refugiar e expandir.

De volta aos planos do "depois", acrescentamos Sonhos substituídos lentamente por objectivos e pelo discurso do "real". E a partir desse momento, apercebe-mo-nos do inevitável em que nos estamos a tornar.

(...)

Entrei de rompante na tua vida tentando possuir cada parte do teu corpo de um só fôlego, qual monstro guloso e infantil. Tu eras a infante. Juntos buscamos os "incertos" e as "novidades" de cada um. Estica-mo-nos para além das fronteiras, tocamos outros corpos, rebentamos à machadada preconceitos e forçamos medos.

Nessa busca incessante e autista do "nirvana", esquece-mo-nos de olhar em redor e para dentro do obscuro de cada um de nós. Eu não parei para descansar e recuperar energias. Continuei a forçar o destino e, com isso, forcei-te a ti. Tu rebentaste e contigo veio o caos emocional, a dor e a bipolaridade que tanto te esforças por esconder do resto do mundo. Na tua duplicidade, durante anos confundida por mim com infantilidade, foste esgotando a tua crença em mim e pelo caminho foste esgotando-me a mim.

Enquanto tentávamos "mudar o mundo", o meu, o teu, o nosso, o dos outros e o de todos, fui perdendo pedaços de mim. Pedaços esses que precisei mais tarde, e não tive, para colar os que se foram estilhaçando lentamente do "Nós" Uno e Indivisível.

E foi já na minha "grande depressão" que me apercebi, tarde de mais, que para concretizarmos o inevitável de "Nós", para mudarmos o mundo, alimentarmos o meu "ego" e coabitarmos com a tua duplicidade, seria preciso o super-homem que eu um dia fui. Mas nesse "agora" de mim, só tínhamos as promessas acumuladas e em dívida, os projectos falhados, a energia finita, a presença anémica e descrente... a amostra de homem que somente te "possuía o corpo e não a alma".

(...)

Certo dia acordaste, olhaste para mim e viste o reflexo do Vazio, o nada, o precipício e quiseste partir. Nesse preciso momento, o "Nós" viu escrito, a sangue, a sua sentença derradeira.

Viana do Castelo, Portugal, Algures Perdidos Entre 1999 e 2003

in «
10 Anos de Eternos Infinitos» ( http://www.10AnosDeEternosInfinitos.com )
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  • Carta de Amor V (completa): guardar o ficheiro ( download .pdf )

25/05/09

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Carta de Amor Ilustrada III ( download .pdf )

«
E porque eu prefiro estar a dormir e somente acordar quando te deitares, vou saciar a fome, esperar-te à porta, dar-te um beijo de bom dia, nem que seja virtual, entregar-te esta extensa confissão, nem que seja por telepatia, e algures entre o purgatório e a salvação, adormecer sonhando contigo.
»

Ainda sonho contigo, quase sempre quando estou acordado. Sonho com histórias que nunca chegarão a ser partilhadas, com vidas que nunca viveremos.
Mas a constante desse sonho é sempre uma, repete-se vezes sem conta em busca do infinito e foi assim imortalizada algures no longínquo ano de 2004:
«
Parto na esperança de um futuro que não existe, impossível. Parto de coração aberto, indefeso. Sonho com mundos pintados de amor e carinho, onde pulo de alegria e me expresso livremente, onde cada palavra minha não seja uma ameaça mas um gesto de aproximação.
»
E continuo a sonhar e a tornar real esses sonhos, para que, tal como hoje, te possa continuar a desejar... Bons Sonhos ;)

Carta de Amor Ilustrada III ( download .pdf )

20/05/09

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Carta de Amor III: Era Uma Vez... A Esperança

( http://www.10anosdeeternosinfinitos.com/2009/04/carta-de-amor-iii-era-uma-vez-esperanca.html )

«E porque eu prefiro estar a dormir e somente acordar quando te deitares, vou saciar a fome, esperar-te à porta, dar-te um beijo de bom dia, nem que seja virtual, entregar-te esta extensa confissão, nem que seja por telepatia, e algures entre o purgatório e a salvação, adormecer sonhando contigo.»

Ilustração: Cipriano Oquiniame ( http://ciprianoo.blogspot.com/ )

13/05/09

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Os nossos corpos entrelaçam-se em câmara lenta e adormecemos.

Com as minhas cuecas húmidas limpo o sémen que escorre lentamente pelo seu rabo frio tentando não despertá-la do estado de sonolência em que se encontra. Procuro também transportar-me para lá, pois a vergonha de não ter conseguido não querer explodir dentro dela tem de morrer antes que o Sol nasça.

E foi assim a (nossa) última viagem ao profundo dos nossos corpos: crua, fria e vergonhosa; um acto de puro egoísmo... o meu.

(...)

A noite presta-se a acabar, abrimos a porta de casa, exaustos, e entramos.

Lá fora ficam as memórias de mais uma madrugada intensa, salpicada de odores diversos. Ainda sinto no muco o sabor do mar, das bifanas, do suor dos corpos roçados e excitados ao ritmo do kizomba, do nosso beijo apaixonado, da minha mais solene promessa e da maior de todas as ilusões aos olhos do mundo - almas gémeas unas e indivisíveis.

É verdade que os Deuses também se abatem, mas também é verdade que por detrás de cada máscara de pele existe um super-homem que sustenta o seu heroísmo na esperança e que, não raras vezes, de peito aberto grita de voz em riste palavras de coragem que ecoam até aos nossos tempos: «Jamais te perderei para o lado negro e sombrio da vida. Eu não vou desistir... nunca.»

E o beijo mais uma vez.

(...)

Meia-noite. O expresso chega. Ela desce. Tudo parece como sempre foi - normal.

(...)

O som inquietante de uma mensagem a chegar, a dúvida que se transforma em curiosidade, os dedos que escavacam as teclas, os olhos que se focam no écran, o corpo que começa a tremer a cada sílaba que o cérebro processa, o espanto transformado em choque, este disfarçado de dor e raiva, a violência que em todo o seu esplendor assume finalmente o comando do meu corpo e o atira contra a parede do mais profundo dos abismos. E eu caindo desamparado vejo-te ao meu lado, ausente. Estico o braço, abro as mãos e tu viras-te. Todo o peso da gravidade se abate sobre mim, esborrachando-me na solidão, vazio, traído.

Quando temos um corpo que não obedece à mente e o mundo a quem eu ofereci o meu coração e no qual depositei o mais valioso de mim se demarca, quando na mais profunda de todas as dores nos sentimos sós, abandonados e traídos... aí sabemos que tudo acabou e que a vida tal como a concebemos naquele preciso momento, jamais voltará a ser a mesma.

E banhado em sangue, suor e lágrimas... despeço-me de vez da inocência e subscrevo-me com elevada consideração e estima.

Viana do Castelo, Portugal, Sexta-feira, 31 de Outubro de 2003

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25/04/09

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Era uma vez um homem e uma mulher, a mulher do marido, e o marido da mulher.
Certo dia acordaram lado a lado e por telepatia perguntaram: «quem és tu?!»
Como o fizeram ao mesmo tempo, abafaram o eco das suas vozes e calaram-se para sempre.


(...)

Procuro nas ondas da Internet a solução para o nosso dilema.

No buraco negro da solidão onde me enterrei escuto vozes que não as minhas. Procuro o teu doce canto, os teus gritos de pulmão em "riste", os teus gestos histéricos de quem deseja despertar para a vida, em vão. Tenho medo do escuro, incomoda-me. Sem ti tudo parece sem sentido. Foste parte de mim, levas-te contigo quase tudo de mim. Continuo à procura da luz, da salvação. Nunca pensei que a dor e o sofrimento fossem preferíveis à solidão. Estava enganado.

Hoje troco o prazer e a felicidade por um berro teu.

Onde estás? Será que o conseguiste ver? Será que o convenceste a visitar-te? A dormir contigo? A aquecer-te nesta noite gélida e triste?

Escrevo sem parar...

Hoje por ti, escreverei um best-seller. Só pararei quando não conseguir manter os olhos abertos ou não tiver forças nos dedos. A tua imagem que projecto na minha mente far-me-à companhia. Dorme bem. Eu empreenderei esta aventura sozinho.

Busco a verdade.

Como posso encontrá-la se tu te fechas num mundo demasiado abstracto e autista? Numa realidade que viola toda a lógica humana e corrompe as minhas crenças mais profundas? Devo assassinar o meu "eu" para que finalmente me possas possuir em definitivo?

Quem me dera poder entrar nos teus sonhos. Nos teus medos. Desisto.

Parto na esperança de um futuro que não existe, impossível. Parto de coração aberto, indefeso. Sonho com mundos pintados de amor e carinho, onde pulo de alegria e me expresso livremente, onde cada palavra minha não seja uma ameaça mas um gesto de aproximação.

Hoje, infelizmente, meço tudo o que digo, mesmo quando escrevo na tentativa de quebrar a barreira do som, da luz e do teu coração. Obrigaste-me a calcular todos os meus passos, a pragmatizar a humanidade, a vida. Envelheci sem dar por isso, sugaste-me a energia que outrora jorrava incessantemente de dentro de mim. Tu foste a última, de curta, mas nobre e poderosa linhagem de mulheres que me vergaram ao poder da "ilógica abstracção".

Penso em ti a cada segundo que passa, a cada tecla que primo. A tua presença tornou-se constante, incómoda, mas ao mesmo tempo a minha única razão de ser e de viver.

Imagino-te nos labirintos do teu prazer, do teu desejo mais profundo, procurando por ele. Imagino o teu coração lento, e depois mais rápido e mais rápido e mais rápido... e não sei se o chegaste a alcançar. Imagino-te deitada. Só isso.

Continuo sem querer parar. Tudo o que eu quero é que me oiças, que me compreendas.

O gozo que me tornei nas mãos de uma criança. Usado e abusado. Deitado fora. Acorrentado nos dedos de uma simples e inconsciente mente. Lembro-me dos teus beijos, do teu forte abraço sem força, da tua pele de bebé, do teu calor amaciado. Lembro-me de ti.

Não sei porque acreditas na mentira. Não sei porque te vendes tão facilmente à maldade, sabendo que um dia tudo acabará mal. Não sei.

No profundo horror da minha ferida enceto uma viagem de regresso às origens, ao mundo que por breves instantes conheceste. Comigo levo apenas a certeza de que não voltarei atrás. Sabes onde me encontrar.
Para onde me dirijo as pessoas gostam uma das outras, tudo é transparente e justo. Elas sabem pedir desculpa e agradecer. Elas gostam de partilhar sem falsas modéstias e falsas bondades. Elas vivem e deixam viver. Elas amam. Querem bem, abraçam o mundo ao invés de o repelirem. Adoram viver em comunidade. Não fogem às responsabilidades. Não se refugiam em falsas questões. Não dizem liberdade quando querem dizer estou farta e não gosto. Não falam de vontade ou falta dela quando não têm coragem de dizer «acabou». Não trocam o bem pelo mal. Não se prostituem em troca de concordância, quase sempre falsa. São coerentes e não têm dois pesos e duas medidas. Falam de vida, da existência, de um ser superior ou não, de magia, sedução, cumplicidade. Contam histórias de grandes feitos, da bondade humana, da humanidade. Protegem os seus... protegem os seus... protegem os seus.

Caminho devagar para esse mundo, em breve chegarei lá. Peço a todos que me compreendam. Peço a quem em mim depositou alguma esperança que não desista agora. Não agora que estou tão perto do fim. Se tiver de morrer ou acabar, que seja com estilo, infinitas medidas dele. Eu sempre fui assim, de novo o voltarei a ser ou não seria eu quem sou e tu a promessa de uma deusa da sedução.

Hás-de fazer amor comigo, de novo. Porque quererás e sem medos. Porque acreditarás ser a única forma de tudo acabar, para que finalmente possamos começar de novo. Os meus olhos perder-se-ão outra vez nos teus.

Estou confuso, cansado, à beira da derradeira humilhação, mas são estes os momentos em que se definem os Homens, se separa o trigo do joio e se tomam as grandes decisões. Eu não sairei a perder, como se existisse derrota ou vitória!

Ao materialismo onde procuras a justificação da tua medíocre existência, contraporei o idealismo. O idealismo que me manterá vivo neste combate mortal. Em que tu terás de morrer para dares vida à um "nós", comigo ou "sem migo". Porque "eles", os que virão depois do amor, da cópula e a quem darás nomes de príncipes e princesas, não poderão viver do egoísmo, do mal, da dor e do sofrimento, tal como tu viveste. Terão de ser amados, pois serão sangue do teu sangue, carne da tua carne. E eles não vivem de cadeiras, mesas, televisões e casas. Vivem de amor e carinho, protecção e segurança, compreensão e disciplina. Tudo o que te escapou por pouco, ao longo de tantas eternidades que juntos passamos.

Pena já não haver a pena. Com ela o papel teria mais valor. As palavras teriam mais valor. A mensagem seria mais profunda, rica, pensada. Sem ela tudo flui sem destino, no tal pulsar incessante em que nos enleamos e nos deixamos levar que corrompe a vida. A transparência é manchada pelo facilitismo. Dói menos e é mais rápido.

Iniciei uma espiral de dor e sofrimento sem fim à vista. Percorro os caminhos do purgatório, da purga. Arrasto a minha cruz por caminhos enlameados. Ao meu lado o mal, do outro o bem. Nas pedras, na terra, na areia, no chão selvagem, jaz o que resta da cumplicidade, da camaradagem e com eles a memória de um único gesto de solidariedade que não existiu. Fui humilhado, maltratado, atirado ao mais profundo esgoto da humanidade e como "presente" o sonho irónico de uma amizade mais forte, um projecto conjunto e mais noites juntos...

Será que desta vez me ameaçam de morte... e cumprem?

Pois a dor física, a dor psicológica e a promessa já não chegam. Era este o fim de que estávamos à espera? Será talvez o mais perfeito de todos os fins, pois se de um ser quase autista, eu despertei um monstro e por causa dele me transformei num, mais do que merecido é este fim. O monstro vinga-se.
Como me lamento a cada segundo que passa. Porque não desisto? Porque por detrás da pele grossa e mal cheirosa do monstro existe um anjo. Uma doce princesa, inocente. Que nada faz por maldade. É apenas criança. Uma princesa que me desperta, por um lado, os mais nobres sentimentos, por outro, as mais cruas das amarguras.

(...)

Lá fora já cantam os pássaros como que anunciando a boa nova de mais um fantástico dia e com ele chega o Sol para te despertar.

E porque eu prefiro estar a dormir e somente acordar quando te deitares, vou saciar a fome, esperar-te à porta, dar-te um beijo de bom dia, nem que seja virtual, entregar-te esta extensa confissão, nem que seja por telepatia, e algures entre o purgatório e a salvação, adormecer sonhando contigo.

Viana Do Castelo, Portugal, 18 De Novembro De 2004

in «
10 Anos de Eternos Infinitos» ( http://www.10AnosDeEternosInfinitos.com )
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24/04/09

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Carta de Amor Ilustrada II ( download .pdf )


«
...
Se um dia os meus lábios se cruzassem com a coragem e a minha boca se enchesse de sons e de dentro saíssem mais do que meros suspiros teria tanto para te contar.

Mas como o dia tarda em chegar, e eu busco-te por entre teorias e alquimias, fazendo depender do sucesso desta demanda a felicidade de toda uma vida, tenho pressa e vou começar assim:
...
»

Sufoca-me não saber de ti, não poder estar na primeira fila a beber das tuas palavras, não poder dizer-te que me orgulho das tuas conquistas e das tuas revoluções populares.

Sufoca-me não poder partilhar contigo as minhas aventuras e desventuras, contar-te como de dois consegui salvar apenas um, como foi a minha primeira lágrima quando olhei para os olhos dela pela primeira vez - e como era tão pequenina e frágil.

Sufoca-me não te poder dizer "olá".

E por isso escrevo Cartas de Amor... para conseguir respirar um pouco entre tantos sufocos.

Boas viagens!

Carta de Amor Ilustrada II ( download .pdf )

22/04/09

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Carta de Amor II: Ignorare

( http://www.10anosdeeternosinfinitos.com/2009/03/carta-de-amor-ii-ignorare.html )

«Se um dia os meus lábios se cruzassem com a coragem e a minha boca se enchesse de sons e de dentro saíssem mais do que meros suspiros teria tanto para te contar.»

Ilustração: Cipriano Oquiniame ( http://ciprianoo.blogspot.com/ )